Aguiar Labs

Blog·Automação

Como importar XML de NF-e de entrada automaticamente, sem trocar de ERP

O que dá pra automatizar na importação de notas de entrada num escritório contábil, onde os XML costumam se perder e como funciona na prática junto do sistema que o escritório já usa.

Lucas Aguiar · · 4 min de leitura

Todo mês a mesma cena se repete num escritório contábil: alguém abre e-mail por e-mail, baixa os XML das notas de entrada de cada cliente, confere se não falta nenhuma, importa no sistema e, no fim, ainda descobre que uma nota veio duplicada ou que outra nem chegou.

É trabalho repetido, cheio de detalhe e que não precisa de julgamento na maior parte do tempo. Exatamente o tipo de tarefa que vira sistema. Neste artigo eu conto o que dá pra automatizar nesse fluxo e como isso roda hoje em produção num escritório contábil de Porto Alegre, sem trocar o ERP que ele já usava.

Por que a importação manual dá tanto trabalho

O problema raramente é importar um XML. É importar todos os XML, de todos os clientes, todo mês, sem esquecer nenhum. Na prática, as notas chegam por caminhos diferentes:

  • o cliente encaminha por e-mail (às vezes em lote, às vezes uma por uma, às vezes só o PDF da DANFE);
  • o fornecedor manda direto pro e-mail do escritório;
  • alguém baixa de um portal ou da própria SEFAZ quando dá falta.

Cada caminho tem o seu jeito de falhar: anexo esquecido, nota repetida em dois e-mails, arquivo com nome genérico, cliente que só manda no último dia. O resultado é uma pessoa da equipe gastando horas conferindo planilha linha a linha em vez de fazer análise.

O que dá pra automatizar

Automatizar não é "um robô que importa tudo". É dividir o fluxo em etapas pequenas e deixar cada uma conferível.

1. Captura dos XML

O primeiro passo é parar de depender de alguém abrir e-mail. Os XML entram por uma porta só: uma caixa de e-mail monitorada, uma pasta compartilhada ou a consulta direta das notas emitidas contra o CNPJ do cliente. A partir daí, cada arquivo é lido automaticamente.

2. Conferência antes de importar

Antes de qualquer coisa entrar no sistema, a automação confere o que uma pessoa conferiria, só que em todas as notas:

  • duplicidade: a chave de acesso de 44 dígitos identifica cada nota, então a mesma nota recebida duas vezes é barrada;
  • destinatário certo: o CNPJ do destinatário bate com um cliente do escritório;
  • arquivo válido: o XML está completo e é de fato uma NF-e, não um PDF renomeado;
  • competência: a nota é do período que está sendo fechado.

O que passa vai pra importação. O que não passa vai pra uma lista de pendências, com o motivo escrito, pra alguém resolver.

3. Importação no sistema que o escritório já usa

Aqui está a parte que mais assusta e que mais importa: ninguém precisa trocar de ERP. A automação trabalha junto do sistema existente e entrega as notas no formato e no lugar que ele espera. No caso do escritório de Porto Alegre, a integração é com o Rech (SIGER), o ERP que eles já usavam.

4. Painel de acompanhamento

Por fim, um painel mostra, por cliente, quantas notas entraram, quais estão pendentes e por quê. Ninguém precisa perguntar pra ninguém em que pé está o fechamento de cada cliente.

Como isso roda num escritório de verdade

O escritório tem mais de 25 anos de mercado e uns 30 a 40 colaboradores. Hoje, com a automação em produção:

  • os XML de entrada entram sozinhos, com conferência e painel de acompanhamento;
  • a conferência fiscal cruza planilhas, guias e recibos pra achar divergência antes de virar problema;
  • as planilhas de movimento e fechamento que os clientes mandam são processadas automaticamente;
  • o andamento das obrigações de cada cliente fica num lugar só.

O nome do cliente fica reservado, mas numa conversa eu conto mais.

Por onde começar

Não começa com um projeto de um ano. Começa com uma dor só, pequena o bastante pra entregar rápido e concreta o bastante pra medir no dia a dia. A importação de notas de entrada costuma ser um ótimo primeiro passo justamente porque todo mundo sabe quanto tempo ela toma.

O caminho que eu sigo é sempre o mesmo:

  1. Entender a rotina: como o trabalho acontece hoje, com quem faz, antes de falar de tecnologia.
  2. Escopo pequeno: uma dor concreta, que dá pra medir.
  3. Ciclos curtos: entregas frequentes, sempre com demonstração.
  4. Evoluir dali: o próximo passo sai do uso real, não de uma lista de desejos.

Se no seu escritório alguém ainda passa dias importando e conferindo nota, me conta como é aí. Dá pra ver juntos o que vira sistema primeiro.